(Recebi por e-mail. Sem fontes.)
A macroeconomia está mudando a economia
Mailson da Nóbrega
O Estado de S. Paulo
30/7/2007
Tornaram-se inequívocos os efeitos benéficos da mais longa fase de estabilidade macroeconômica do Brasil, a partir de 1994, a qual tem sido reforçada por avanços como superávits primários robustos, câmbio flutuante e metas de inflação. O Brasil virou um país de baixa inflação, sério na gestão da política monetária e previsível no front econômico.
Muitos resistem a enxergar essa auspiciosa realidade. São prisioneiros de um passado cada vez mais distante e defensores de exemplos inaplicáveis ao caso brasileiro (China) ou inconvenientes (Argentina). Esses saudosistas afirmam que a estabilidade não gera crescimento, o que não passa de uma banalidade. A estabilidade nunca teve esse papel em países maduros, mas sem ela a expansão do produto e do emprego é insustentável. O que gera o crescimento é a acumulação de capital - físico e humano - e os ganhos de produtividade, que dependem da qualidade da educação e de fatores microeconômicos, como já mencionei neste espaço.
Acontece que a estabilidade pode gerar mudanças benignas em países que viveram longos períodos de alta inflação, como o Brasil. Uma delas é o crédito, que constitui elemento essencial do crescimento. Um maior aprofundamento financeiro - que pode ser medido pela relação entre o crédito e o PIB - está associado à estabilidade, à proteção dos direitos dos credores, à redução da assimetria de informação e a taxas de juros moderadas.
Ao reduzir riscos, a estabilidade vem contribuindo, desde setembro de 2005, para moderar as taxas de juros. O crédito consignado reduziu a assimetria de informação no crédito pessoal, a qual pode diminuir, de forma mais generalizada, com a lei do cadastro positivo, sob apreciação do Congresso. Apesar da visão anticredor de juízes, a baixa volatilidade oriunda de estabilidade diminui a inadimplência e os conflitos, o que reduz a procura pelo Judiciário, faz cair o spread bancário e gera juros finais declinantes.
Muitos podem atestar os efeitos dessa realidade, como a indústria automobilística e a de outros bens de consumo durável. Juros em declínio e confiança contribuíram para aumentar as vendas, sob o estímulo do menor valor das prestações, inclusive pela ampliação dos prazos. O turismo e as viagens aéreas têm atraído usuários, via prestações mensais inimagináveis há alguns anos.
Está em curso uma revolução. Antes, era difícil obter empréstimo. Agora, o banco busca o cliente, movido pela concorrência, pela demanda de investidores por papéis securitizados de alta rentabilidade e pela necessidade de oferecer novos produtos e serviços. O maior acesso ao crédito, inclusive para alongamento de dívidas, tem levado empresas a se formalizarem. Precisam apresentar balanços reais para bancos e para receber injeções de capital de empresas de private equity ou da abertura de capital.
As conseqüências desse processo são difíceis de calcular, mas é intuitivo que aumentam o pagamento de impostos pelas empresas que viviam na informalidade. Ampliam o registro de empregados. Geram a busca de pessoal qualificado para gestão e melhoria da governança corporativa. Tudo isso eleva a eficiência e a produtividade.
Aqui pode estar a origem do recente crescimento da arrecadação tributária e dos empregos formais, mas estes não são os únicos efeitos dessa nova realidade. Além de aumentar a demanda por bens e serviços, este ambiente gera incentivos para investimentos na ampliação da capacidade produtiva, o que aumenta o potencial de crescimento e reduz os riscos inflacionários associados à maior expansão da economia.
Se os que querem mudar a política econômica pudessem superar padrões mentais ultrapassados, perceberiam tal realidade. Deixariam de falar em câmbio, juros e caminhos argentinos e chineses. Pregariam reformas para reduzir o caos tributário, melhorar a infra-estrutura (principalmente via privatização), modernizar a legislação trabalhista, abrir mais a economia e por aí afora.
Estaríamos em melhor situação se o governo avançasse nas reformas, melhorasse a gestão e evitasse os apagões que se sucedem. Mesmo assim, ao não mudar a política econômica, Lula contribuiu para preservar a estabilidade macroeconômica, que, nas condições atuais do Brasil, tem sido um fator inequívoco de crescimento.
A macroeconomia está mudando a economia
Mailson da Nóbrega
O Estado de S. Paulo
30/7/2007
Tornaram-se inequívocos os efeitos benéficos da mais longa fase de estabilidade macroeconômica do Brasil, a partir de 1994, a qual tem sido reforçada por avanços como superávits primários robustos, câmbio flutuante e metas de inflação. O Brasil virou um país de baixa inflação, sério na gestão da política monetária e previsível no front econômico.
Muitos resistem a enxergar essa auspiciosa realidade. São prisioneiros de um passado cada vez mais distante e defensores de exemplos inaplicáveis ao caso brasileiro (China) ou inconvenientes (Argentina). Esses saudosistas afirmam que a estabilidade não gera crescimento, o que não passa de uma banalidade. A estabilidade nunca teve esse papel em países maduros, mas sem ela a expansão do produto e do emprego é insustentável. O que gera o crescimento é a acumulação de capital - físico e humano - e os ganhos de produtividade, que dependem da qualidade da educação e de fatores microeconômicos, como já mencionei neste espaço.
Acontece que a estabilidade pode gerar mudanças benignas em países que viveram longos períodos de alta inflação, como o Brasil. Uma delas é o crédito, que constitui elemento essencial do crescimento. Um maior aprofundamento financeiro - que pode ser medido pela relação entre o crédito e o PIB - está associado à estabilidade, à proteção dos direitos dos credores, à redução da assimetria de informação e a taxas de juros moderadas.
Ao reduzir riscos, a estabilidade vem contribuindo, desde setembro de 2005, para moderar as taxas de juros. O crédito consignado reduziu a assimetria de informação no crédito pessoal, a qual pode diminuir, de forma mais generalizada, com a lei do cadastro positivo, sob apreciação do Congresso. Apesar da visão anticredor de juízes, a baixa volatilidade oriunda de estabilidade diminui a inadimplência e os conflitos, o que reduz a procura pelo Judiciário, faz cair o spread bancário e gera juros finais declinantes.
Muitos podem atestar os efeitos dessa realidade, como a indústria automobilística e a de outros bens de consumo durável. Juros em declínio e confiança contribuíram para aumentar as vendas, sob o estímulo do menor valor das prestações, inclusive pela ampliação dos prazos. O turismo e as viagens aéreas têm atraído usuários, via prestações mensais inimagináveis há alguns anos.
Está em curso uma revolução. Antes, era difícil obter empréstimo. Agora, o banco busca o cliente, movido pela concorrência, pela demanda de investidores por papéis securitizados de alta rentabilidade e pela necessidade de oferecer novos produtos e serviços. O maior acesso ao crédito, inclusive para alongamento de dívidas, tem levado empresas a se formalizarem. Precisam apresentar balanços reais para bancos e para receber injeções de capital de empresas de private equity ou da abertura de capital.
As conseqüências desse processo são difíceis de calcular, mas é intuitivo que aumentam o pagamento de impostos pelas empresas que viviam na informalidade. Ampliam o registro de empregados. Geram a busca de pessoal qualificado para gestão e melhoria da governança corporativa. Tudo isso eleva a eficiência e a produtividade.
Aqui pode estar a origem do recente crescimento da arrecadação tributária e dos empregos formais, mas estes não são os únicos efeitos dessa nova realidade. Além de aumentar a demanda por bens e serviços, este ambiente gera incentivos para investimentos na ampliação da capacidade produtiva, o que aumenta o potencial de crescimento e reduz os riscos inflacionários associados à maior expansão da economia.
Se os que querem mudar a política econômica pudessem superar padrões mentais ultrapassados, perceberiam tal realidade. Deixariam de falar em câmbio, juros e caminhos argentinos e chineses. Pregariam reformas para reduzir o caos tributário, melhorar a infra-estrutura (principalmente via privatização), modernizar a legislação trabalhista, abrir mais a economia e por aí afora.
Estaríamos em melhor situação se o governo avançasse nas reformas, melhorasse a gestão e evitasse os apagões que se sucedem. Mesmo assim, ao não mudar a política econômica, Lula contribuiu para preservar a estabilidade macroeconômica, que, nas condições atuais do Brasil, tem sido um fator inequívoco de crescimento.
Isso mesmo Chuzeco continue falando sobre economia, essa sua pobre discipula agradece!
ResponderExcluirOu, somos dois bebos viu, realmente eu não sei o que tu viu de errado na minha postagem porque eu coloquei "em prol do bem comum".
Tadinho gente tá doidinho já está vendo coisas onde não tem! Limpa a lente :P
Beijos no estilo "love" ;)