22 de maio de 2008
20 de maio de 2008
Momentos, reflexões...
Como se percebe, há tempos não escrevo por aqui. A "justificativa" já está dada -- minha família está por aqui e, com todo respeito aos meus eventuais leitores, prefiro dar atenção a eles do que ao blog. E, pra quem usar o argumento de que eu não escrevo já há algum tempo, serve a outra justificativa -- o blog é meu e eu escrevo o que quiser e quando quiser.
Independentemente disso, fato é que, às vezes, preciso refletir sobre algumas coisas, geralmente relacionadas ao meu trabalho. E tenho feito isso bastante ultimamente, tendo em vista as constantes decepções e alegrias que o mesmo tem trazido.
As decepções são de dois tipos: algumas se relacionam com questões administrativas, que pra mim são logicamente incompreensíveis (certas decisões devem ser tomadas por "capricho" de quem manda), e outras se relacionam com questões acadêmicas -- ou, melhor dizendo, com o desinteresse de determinados alunos em relação ao que eu tenho pra falar. Sei que já escrevi muito sobre isso aqui, especialmente no ano passado, mas enfim... É a vida, é meu cotidiano e não há como fugir disso... E não há como me decepcionar quando vejo que estou jogando pérolas aos porcos!
Que o diga a turma "A" da manhã... Sempre uma turma "A", nunca vi! Acho que semestre que vem vou pedir pra dar aulas apenas pras turmas "B" e "C", assim não corro tanto o risco!!! Fato é que já larguei essa turma da manhã de mão: não terão nada de mim além do feijão-com-arroz. Sei que há alunos com grande potencial por ali, sei que quem me desanima é a minoria, e não a maioria... Mas enfim, uma vez desanimado, pra animar novamente é difícil... Acho que nem tomando Viagra!
Por outro lado, as alegrias também se subdividem em administrativas e "alunísticas". Por mais que existam os vagabundos que não querem nada com nada, existem também aqueles que estão no outro extremo -- que exigem o máximo de mim, e por esses vale a pena trabalhar. E, no que diz respeito ás questões administrativas, nada melhor do que ter a chance de coordenar alguns projetos de pesquisa, coisa que sempre quis fazer...
Enfim, no somatório final há um meio termo, como sempre gosto de dizer -- o melhor possível, nem horrível, nem excelente, mas mediano. O problema é que esta média vem depois de muitos altos e baixos, e eu não gosto muito disso...
Independentemente disso, fato é que, às vezes, preciso refletir sobre algumas coisas, geralmente relacionadas ao meu trabalho. E tenho feito isso bastante ultimamente, tendo em vista as constantes decepções e alegrias que o mesmo tem trazido.
As decepções são de dois tipos: algumas se relacionam com questões administrativas, que pra mim são logicamente incompreensíveis (certas decisões devem ser tomadas por "capricho" de quem manda), e outras se relacionam com questões acadêmicas -- ou, melhor dizendo, com o desinteresse de determinados alunos em relação ao que eu tenho pra falar. Sei que já escrevi muito sobre isso aqui, especialmente no ano passado, mas enfim... É a vida, é meu cotidiano e não há como fugir disso... E não há como me decepcionar quando vejo que estou jogando pérolas aos porcos!
Que o diga a turma "A" da manhã... Sempre uma turma "A", nunca vi! Acho que semestre que vem vou pedir pra dar aulas apenas pras turmas "B" e "C", assim não corro tanto o risco!!! Fato é que já larguei essa turma da manhã de mão: não terão nada de mim além do feijão-com-arroz. Sei que há alunos com grande potencial por ali, sei que quem me desanima é a minoria, e não a maioria... Mas enfim, uma vez desanimado, pra animar novamente é difícil... Acho que nem tomando Viagra!
Por outro lado, as alegrias também se subdividem em administrativas e "alunísticas". Por mais que existam os vagabundos que não querem nada com nada, existem também aqueles que estão no outro extremo -- que exigem o máximo de mim, e por esses vale a pena trabalhar. E, no que diz respeito ás questões administrativas, nada melhor do que ter a chance de coordenar alguns projetos de pesquisa, coisa que sempre quis fazer...
Enfim, no somatório final há um meio termo, como sempre gosto de dizer -- o melhor possível, nem horrível, nem excelente, mas mediano. O problema é que esta média vem depois de muitos altos e baixos, e eu não gosto muito disso...
Postado por
Matheus Passos
às
23:46
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15 de maio de 2008
Abandono
Algumas pessoas enviaram-me e-mails perguntando o por quê do meu "abandono" em relação a este blog.
Afirmo-vos: não o abandonei. Fato é que, nos últimos 10 dias, meu irmão está me visitando e, como é rara a vinda dele pra cá, obviamente que estou tentando passar todo o tempo disponível com o moleque. Sendo assim, a internet está às favas.
Por fim, vale lembrar que o blog é meu e eu posto quando quiser.
Mas não se preocupem: voltarei na medida do possível...
Afirmo-vos: não o abandonei. Fato é que, nos últimos 10 dias, meu irmão está me visitando e, como é rara a vinda dele pra cá, obviamente que estou tentando passar todo o tempo disponível com o moleque. Sendo assim, a internet está às favas.
Por fim, vale lembrar que o blog é meu e eu posto quando quiser.
Mas não se preocupem: voltarei na medida do possível...
Postado por
Matheus Passos
às
17:26
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Ricos, ricos, ricos...
(Original aqui.)
Segundo Ipea, 10% dos brasileiros concentram 75% da riqueza
Desigualdade social está no mesmo patamar do período de regime militar, aponta estudo.
Trabalho mostra que carga tributária pesa mais para população de baixa renda.
Três quartos da riqueza existente no Brasil está concentrada nas mãos de apenas 10% da população. A informação consta do estudo "Justiça Tributária: Iniqüidade e Desafios", divulgado nesta quinta-feira (15) pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, durante seminário sobre reforma tributária, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
De acordo com o estudo, o índice de Gini, que mede a desigualdade social de uma população, foi de 0,56 no Brasil em 2006 - o índice varia de 0 a 1, sendo 0 a perfeita igualdade e 1 a completa desigualdade. Segundo Pochmann, isso significa que a desigualdade social diminuiu no Brasil em 2006, mas ainda está no patamar do período militar e em nível pior do que antes do golpe de 1964.
Carga tributária
Para Pochmann, "é evidente que o sistema tributário que temos aprofunda a desigualdade". Ele destacou que no grupo dos 10% mais pobres, a tributação representa 32,8% da renda. Já nos 10% mais ricos, a tributação total é referente a 22,7% da renda. "Quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais impostos", afirmou.
O presidente do Ipea mostrou que desde 1995 tem havido aumento na carga tributária, determinado basicamente pelo governo federal. Ressaltou, porém, que há uma grande desigualdade na arrecadação entre os Estados brasileiros. Ele mostrou que houve um aumento na participação da carga tributária brasileira nos impostos sobre renda, propriedade e patrimônio, no período de 1995 até 2007, que passaram de 21,1% para 29%.
Pochmann defendeu que o Imposto de Renda para a pessoa física tenha mais alíquotas de tributação e assim avance na questão da redução da desigualdade social. Para Pochmann, o sistema atual com duas alíquotas reduz o potencial do imposto de renda como fator de redução da desigualdade.
Segundo Ipea, 10% dos brasileiros concentram 75% da riqueza
Desigualdade social está no mesmo patamar do período de regime militar, aponta estudo.
Trabalho mostra que carga tributária pesa mais para população de baixa renda.
Três quartos da riqueza existente no Brasil está concentrada nas mãos de apenas 10% da população. A informação consta do estudo "Justiça Tributária: Iniqüidade e Desafios", divulgado nesta quinta-feira (15) pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, durante seminário sobre reforma tributária, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
De acordo com o estudo, o índice de Gini, que mede a desigualdade social de uma população, foi de 0,56 no Brasil em 2006 - o índice varia de 0 a 1, sendo 0 a perfeita igualdade e 1 a completa desigualdade. Segundo Pochmann, isso significa que a desigualdade social diminuiu no Brasil em 2006, mas ainda está no patamar do período militar e em nível pior do que antes do golpe de 1964.
Carga tributária
Para Pochmann, "é evidente que o sistema tributário que temos aprofunda a desigualdade". Ele destacou que no grupo dos 10% mais pobres, a tributação representa 32,8% da renda. Já nos 10% mais ricos, a tributação total é referente a 22,7% da renda. "Quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais impostos", afirmou.
O presidente do Ipea mostrou que desde 1995 tem havido aumento na carga tributária, determinado basicamente pelo governo federal. Ressaltou, porém, que há uma grande desigualdade na arrecadação entre os Estados brasileiros. Ele mostrou que houve um aumento na participação da carga tributária brasileira nos impostos sobre renda, propriedade e patrimônio, no período de 1995 até 2007, que passaram de 21,1% para 29%.
Pochmann defendeu que o Imposto de Renda para a pessoa física tenha mais alíquotas de tributação e assim avance na questão da redução da desigualdade social. Para Pochmann, o sistema atual com duas alíquotas reduz o potencial do imposto de renda como fator de redução da desigualdade.
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Matheus Passos
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17:15
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11 de maio de 2008
Bobagens do presidente
(Original aqui.)
Postado por Carlos Alberto Sardenberg em 10 de Maio de 2008 às 12:36
Como muita gente no mercado, o presidente Lula também se queixou das agências de classificação de risco. No mercado, o pessoal reclama que as agências não anteciparam a crise do crédito nos EUA. Já Lula, em discurso na Bahia reclamou da nota que as agências dão aos Estados Unidos. Sustenta que o risco dos EUA não poderia ser zero, como é, uma vez que o país está numa “crise desgraçada” e “entupido de dívida”.
É verdade que os EUA têm os déficits gêmeos, nas contas públicas - o governo gasta mais que arrecada - e nas contas externas, sobretudo por causa de um enorme déficit comercial.
Mas por que investidores e governos do mundo todo (inclusive o governo brasileiro) continuam comprando títulos emitidos pelo governo norte-americano? Por que confiam nesses papéis? Será que ninguém terá percebido o “grande erro” cometido pelas agências, como percebeu nosso presidente?
Ocorre que a dívida dos EUA está na moeda local, na moeda deles. Isso faz uma brutal diferença.
Tomem por exemplo a dívida externa brasileira total, pública e privada, em torno de US$ 200 bilhões. Com o dólar a R$ 1,67, essa dívida equivale a R$ 334 bilhões. Ou seja, os devedores brasileiros precisam arrumar apenas R$ 334 bilhões para matar a dívida.
Imaginemos agora que o governo brasileiro perca o controle da situação econômica, que a inflação dispare, que o déficit das contas públicas aumente, que a crise internacional reduza as exportações brasileiras. Nossa moeda, o real, vai se desvalorizar. Imaginemos que chegue a R$ 2,50. Com isso, a mesma dívida externa de US$ 200 bilhões passaria de R$ 334 bilhões para R$ 500 bilhões (um salto de R$ 166 bilhões, um dinheirão, equivalente a 6,5% do PIB do ano passado).
Considerando que a dívida pública é um pouco menos da metade da Divida Externa Total, o aumento no endividamento do governo seria de 3% do PIB. Para se verificar o tamanho disso, basta notar que no ano passado a dívida líquida do setor público caiu de 43% do PIB para 41,6%, uma redução de 1,4 ponto percentual, que foi considerado como um bom resultado.
Já a dívida americana é em dólar, moeda deles. Se o dólar se desvaloriza, como está ocorrendo, a dívida se desvaloriza, fica menor, que é o que está ocorrendo.
Mas o outro fator pelo qual o risco dos EUA é zero está no passado de bom pagador - ao contrário da reputação do Brasil, cujos governos de tempos em tempos se orgulharam de dar calotes na dívida externa e cujas lideranças políticas, como as do PT, pregam o calote das dívidas interna e externa.
Aliás, em 2002, quando ficou claro que Lula seria eleito presidente, o mercado olhou para o passado e para os documentos do PT e o que aconteceu? O dólar foi a R$ 4,00, dobrando a dívida externa medida em reais, e o risco Brasil foi a 2.400 pontos.
Depois, o mercado leu a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual Lula prometia manter as bases da política econômica de FHC e, sobretudo, prometia continuar pagando a dívida em dia. Com isso e as ações concretas de Antonio Palocci, o mercado se convenceu de que não haveria calote e as cotações foram voltando.
Ou seja, Lula pediu, sim, o voto do mercado, ao contrário do que disse no mesmo discurso em que criticou as agências.
Já no governo americano, essas questões nunca apareceram. Suas lideranças nunca cogitaram calotes, sempre pagaram em dia.
Tudo isso é fácil de saber, especialmente para um presidente da República.
De maneira que há duas hipóteses para as bobagens ditas pelo presidente Lula. Ou ele sabe disso e fez um discurso populista, jogando, pois, com a ignorância do público. Ou a ignorância é dele.
Escolham a sua hipótese.
O fato é que, do alto de sua popularidade, o presidente, que já se achava, agora parece ter perdido qualquer limite. Ele fala o que lhe dá na telha - e dá cada coisa...
Postado por Carlos Alberto Sardenberg em 10 de Maio de 2008 às 12:36
Como muita gente no mercado, o presidente Lula também se queixou das agências de classificação de risco. No mercado, o pessoal reclama que as agências não anteciparam a crise do crédito nos EUA. Já Lula, em discurso na Bahia reclamou da nota que as agências dão aos Estados Unidos. Sustenta que o risco dos EUA não poderia ser zero, como é, uma vez que o país está numa “crise desgraçada” e “entupido de dívida”.
É verdade que os EUA têm os déficits gêmeos, nas contas públicas - o governo gasta mais que arrecada - e nas contas externas, sobretudo por causa de um enorme déficit comercial.
Mas por que investidores e governos do mundo todo (inclusive o governo brasileiro) continuam comprando títulos emitidos pelo governo norte-americano? Por que confiam nesses papéis? Será que ninguém terá percebido o “grande erro” cometido pelas agências, como percebeu nosso presidente?
Ocorre que a dívida dos EUA está na moeda local, na moeda deles. Isso faz uma brutal diferença.
Tomem por exemplo a dívida externa brasileira total, pública e privada, em torno de US$ 200 bilhões. Com o dólar a R$ 1,67, essa dívida equivale a R$ 334 bilhões. Ou seja, os devedores brasileiros precisam arrumar apenas R$ 334 bilhões para matar a dívida.
Imaginemos agora que o governo brasileiro perca o controle da situação econômica, que a inflação dispare, que o déficit das contas públicas aumente, que a crise internacional reduza as exportações brasileiras. Nossa moeda, o real, vai se desvalorizar. Imaginemos que chegue a R$ 2,50. Com isso, a mesma dívida externa de US$ 200 bilhões passaria de R$ 334 bilhões para R$ 500 bilhões (um salto de R$ 166 bilhões, um dinheirão, equivalente a 6,5% do PIB do ano passado).
Considerando que a dívida pública é um pouco menos da metade da Divida Externa Total, o aumento no endividamento do governo seria de 3% do PIB. Para se verificar o tamanho disso, basta notar que no ano passado a dívida líquida do setor público caiu de 43% do PIB para 41,6%, uma redução de 1,4 ponto percentual, que foi considerado como um bom resultado.
Já a dívida americana é em dólar, moeda deles. Se o dólar se desvaloriza, como está ocorrendo, a dívida se desvaloriza, fica menor, que é o que está ocorrendo.
Mas o outro fator pelo qual o risco dos EUA é zero está no passado de bom pagador - ao contrário da reputação do Brasil, cujos governos de tempos em tempos se orgulharam de dar calotes na dívida externa e cujas lideranças políticas, como as do PT, pregam o calote das dívidas interna e externa.
Aliás, em 2002, quando ficou claro que Lula seria eleito presidente, o mercado olhou para o passado e para os documentos do PT e o que aconteceu? O dólar foi a R$ 4,00, dobrando a dívida externa medida em reais, e o risco Brasil foi a 2.400 pontos.
Depois, o mercado leu a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual Lula prometia manter as bases da política econômica de FHC e, sobretudo, prometia continuar pagando a dívida em dia. Com isso e as ações concretas de Antonio Palocci, o mercado se convenceu de que não haveria calote e as cotações foram voltando.
Ou seja, Lula pediu, sim, o voto do mercado, ao contrário do que disse no mesmo discurso em que criticou as agências.
Já no governo americano, essas questões nunca apareceram. Suas lideranças nunca cogitaram calotes, sempre pagaram em dia.
Tudo isso é fácil de saber, especialmente para um presidente da República.
De maneira que há duas hipóteses para as bobagens ditas pelo presidente Lula. Ou ele sabe disso e fez um discurso populista, jogando, pois, com a ignorância do público. Ou a ignorância é dele.
Escolham a sua hipótese.
O fato é que, do alto de sua popularidade, o presidente, que já se achava, agora parece ter perdido qualquer limite. Ele fala o que lhe dá na telha - e dá cada coisa...
Postado por
Matheus Passos
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13:04
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