7 de agosto de 2007

Mais análise econômica (atendendo a pedidos)

(Original aqui)

EUA no córner: Juros precisam cair. Mas não podem.

Como esperado, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve a taxa básica de juros em 5,25% ao ano, mesmo nível desde o início de 2006. Mas contrariando as esperanças, o Fed não deu qualquer sinal de mudança no comunicado divulgado hoje à tarde.

Explica-se: o Fed levou quase dois anos (de 2004 a 2006) para elevar a taxa de juros de 1% para os atuais 5,25%, isso para ajustar a taxa a uma economia em aquecimento e com inflação em alta.

Quando a operação sobe-juros cessou, um ano atrás, a preocupação do mercado passou a ser a seguinte: quando o Fed vai considerar a inflação domada e começar a reduzir os juros?

No meio desse caminho, porém, apareceu outra preocupação: a inadimplência no setor imobiliário atingiu todo o sistema de crédito, levando a uma alta geral de juros para pessoas e empresas. Isso e mais a consequente queda no preço dos imóveis levou ao temor de que pudesse ocorrer uma recessão ou uma forte desaceleração da economia em geral.

E assim, a situação ameaça ir para um córner. Se há uma crise de crédito e uma ameaça de recessão, o Fed precisa reduzir os juros, tal é a manobra clássica. Mas se ainda há pressão inflacionária, o Fed não pode reduzir os juros.
Daí a expectativa em relação à reunião de hoje. Frustrada: o Fed disse em seu comunicado que, embora o risco de desaceleração econômica tenha aumentado, o principal entendimento do banco sustenta que continua predominante o risco de a inflação não cair como o esperado.

Ou seja, continuamos no córner, precisando reduzir juros e não podendo. (Aliás, hoje mesmo saíram informações mostrando que a produtividade da economia americana caiu, enquanto aumentaram os custos da mão de obra, um conjunto de pressões inflacionárias).

E assim seguimos. Parece que o mercado está mais assustado com a crise de crédito e risco de recessão, problemas vistos pelo Fed como menos graves e mais controláveis. Aliás, o Fed acha que a economia está em marcha de recuperação, de modo que prefere ficar de olho maior na inflação.

Resumo da ópera: o mercado vai continuar volátil, até o pessoal descobrir qual o tamanho da crise de crédito, se vai haver ou não quebra de bancos. Se, ao final, se verificar que a crise está administrada, tudo bem. Se, ao contrário, quebrarem bancos, segurem os cintos – e o governo Lula teria de lidar com sua primeira crise externa.


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