3 de junho de 2007

A elegância

Eu recebi isto por e-mail, em um powerpoint. Achei legal e resolvi publicar aqui.

"A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO"

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam.

E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para fazê-lo... Porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens...

Abrir a porta para alguém é muito elegante...

Dar o lugar para alguém sentar... É muito elegante...

Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...

Oferecer ajuda... É muito elegante...

Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social.

Se os amigos não merecem certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.


Estranho...

Eu parei para contar. Na última semana, fiz 37 postagens aqui no meu blog.

Após relê-las rapidamente, fiz o cálculo abaixo, relacionando o número de postagens com o número de temas trabalhados:

  • Figuras históricas: 2
  • Músicas: 2
  • Religião: 3
  • Aulas: 4
  • Sociedade: 4
  • Amor: 5
  • Dia-a-dia: 5
  • Piadas: 5
  • Política nacional, política internacional, economia: 7

Durante esta semana, disseram-me que eu estava apaixonado porque eu fiz várias postagens sobre o amor.

Mas vejam! Eu fiz tantas postagens sobre o meu dia-a-dia e sobre piadas quanto fiz sobre o amor. E eu fiz mais postagens ainda sobre política nacional, internacional e sobre economia.

Ora bolas! Se eu faço 5 postagens sobre o amor e estou apaixonado, por que então não dizem que eu sou uma pessoa "genérica", que só fala sobre o dia-a-dia? Por que não dizem que sou humorista, já que fico contando piadas? Por que não dizem que sou um político ou um economista, já que trato destes temas?

Dois pesos e duas medidas?

Estranho isto, não?


2 de junho de 2007

"Sorte do dia" do orkut

"É difícil resistir ao seu jeito cativante."

Que comédia!


Piadinha básica

O negão e a manga

Um dia o caipira chegou para a mulher e disse:

- Muié, tô indo trabaiá i só vorto di noiti.

Quando saiu de casa ao invés de ir para roça, subiu em um pé de manga e ficou escondido.

De repente aparece um negão, vai até o pé de manga e nem percebe que o caipira estava lá. Pega uma manga e começa a chupar, pega mais uma, pega outra... Quando a mulher do caipira aparece e diz:

- Pode vir negão, ele já foi !!!

E o negão entra na casa do caipira.

O caipira, p da vida, desce da árvore, pega um facão e entra na casa.

Quando ele abre a porta vê o negão chupando os peitos da sua mulher, então levanta o facão e diz:

- Vai morrêêêê negão!!!

Nisso, o negão saca um 38 da cintura, aponta pro caipira e diz:

- Por que eu vou morrer ???

E o caipira:

- Chupô treis manga e agora tá tomando leite. Assim tu vai morrê negão!


É foda

Existem pessoas que sabem dizer a coisa certa, no momento certo, para acabar com uma ótima noite de sono.


1 de junho de 2007

'Sem financiamento público, estou fora'

(Original aqui)

Em 2001, governador do DF renunciou para não ser cassado.
Hoje, diz que deixa política se financiamento público de campanha não for aprovado.

Pivô do escândalo da violação do painel do Senado, em 2001, após a votação da cassação do então senador Luiz Estevão, o atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), diz ser favorável ao fim do voto secreto.

“Enquanto deputado e senador puder votar escondido atrás do painel, nenhuma democracia vai ser plena”, declarou o governador ao G1.

Ele, à época no PSDB, e o senador Antonio Carlos Magalhães, do então PFL (atual DEM), renunciaram para não correrem o risco de serem cassados, acusados de violar o painel do Senado para ter acesso aos votos de cada senador.

Arruda viu a lista de votação. Sabe quem votou a favor e quem votou contra a cassação. Mas diz que jamais revelará os votos. Perguntado se não acha que revelar os nomes é prestar um serviço à nação, Arruda desconversa: “A sociedade é muito mais sábia do que a gente imagina.”

O governador diz torcer para que acabe a reeleição, e os mandatos passem a ser de cinco anos, coincidentes com as eleições para presidente e prefeito. Também afirma querer financiamento público das campanhas eleitorais.

“Se não passar o financiamento público de campanha, quem continuar na carreira política é doido. Eu estou fora.”

Há pouco menos de cinco meses à frente do Governo do Distrito Federal (GDF), Arruda diz ter tomado medidas impopulares, contrariado muitos interesses e afirma estar “pagando um preço alto por isso”.

Além de extinguir 20 secretarias, ele cortou 11 mil empregos no Instituto Candango de Solidariedade (ICS) e outros 10 mil cargos em comissão.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista, a sexta da série com governadores no G1.

Painel do Senado

G1 – Hoje, o sr. admite que errou no caso do painel do Senado, em 2001. Nesse intervalo de seis anos, depois de renunciar, o sr. voltou, em 2004, como o deputado federal proporcionalmente mais votado do país e em 2006 foi eleito no 1º turno para governar o Distrito Federal. Gostaria que o sr. rememorasse esse episódio do painel do Senado e falasse sobre a experiência de ter atingido o fundo do poço.
José Roberto Arruda – Em termos pessoais, é uma experiência muito dura. Em termos políticos, acaba sendo uma experiência rica. Porque político, no Brasil, nunca erra. Nunca vi um político dizer que errou. O caboclo sai da cadeia e diz que não tem nada com aquilo. Então, eu acho que... eu tenho vergonha na cara. Eu não deveria ter olhado a lista. Eu teria mil atenuantes: dizer que muito mais gente viu, dizer que era para um objetivo nobre de o painel não ser modificado, eu poderia falar coisas. Mas o que interessa é que eu errei, que eu não deveria ter olhado. Reconheci o erro e paguei um preço muito alto por isso. Vivi os dois lados: ao sair da glória para o fundo do poço, você reconhece quem são seus verdadeiros amigos, quais são os verdadeiros valores da vida. E quando você renasce, como foi o meu caso, você renasce refeito, uma outra pessoa, com outros valores, com outras idéias, com muito mais experiência, com muito mais humildade.

G1 – O sr. já se declarou favorável à extinção do voto secreto no Congresso Nacional...
Arruda – Claro. Você vê... eu não quero, com isso, justificar o erro que cometi. Mas, já que vi a lista, o que eu posso dizer é o seguinte: enquanto deputado e senador puder votar escondido atrás do painel, nenhuma democracia vai ser plena. A plenitude democrática é exatamente você fazer com que os votos dos seus representantes sejam conhecidos por toda a sociedade.

G1 – O sr. viu a lista. Quem votou contra a cassação do então senador Luiz Estevão que mais surpreendeu o senhor?
Arruda – Foram tantos...

G1 – Quem? Quantos?
Arruda – Muita gente.

G1 – O sr. algum dia vai falar quem são?
Arruda – Não.

G1 – Por quê?
Arruda – Porque eu já errei vendo a lista e não vou errar outra vez falando o que vi.

G1 – O sr. não acha que prestará um serviço à nação dizendo quem são as pessoas que pregam um discurso diferente daquilo que praticam?
Arruda – A sociedade sabe. Não precisa falar nada. A sociedade é muito mais sábia do que a gente imagina.

Reeleição

G1 – O senhor se considera um governador de oposição?
Arruda – Acho que governador nenhum é de governo ou de oposição. As questões políticas, programáticas e ideológicas são defendidas no Congresso Nacional. Governador governa. No meu caso, eu sou hospedeiro dos poderes da República. Tenho com o Governo federal relações as melhores possíveis, e vou continuar tendo. E acho que, sinceramente, não fui eleito para fazer política partidária. Minha responsabilidade é governar Brasília.

G1 – Na eleição de 2010, onde o sr. imagina que estará: candidatando-se à Presidência da República, à reeleição para o Governo do Distrito Federal, à Câmara dos Deputados, a senador...?
Arruda – Sinceramente, não tenho a menor idéia.

G1 – O sr. é a favor da reeleição?
Arruda – Eu preferia hoje que não existisse. Eu sou a favor de uma reforma política que dê cinco anos de mandato para todo mundo, sem reeleição. Sou a favor de mandatos coincidentes para presidente, governador, prefeitos, vereador, de cinco em cinco anos.

G1 – O cenário político está marcado por escândalos. As pessoas já não sabem mais quem está envolvido em qual, dado o número de acusados e de casos...
Arruda – É a banalização do escândalo.

G1 – E como resolver?
Arruda – Eu acho que, se não passar o financiamento público de campanha, quem continuar na carreira política é doido. Eu não continuo.

G1 – O sr. tem esperança de que isso [o financiamento público de campanha] aconteça?
Arruda – Se não acontecer, fica muito difícil. Passa a ser... você... busca recursos para a campanha - e todo mundo busca - e depois isso é colocado no mesmo caldeirão da corrupção, do desvio de dinheiro público, e tudo vira igual, todos são iguais. Eu não estou disposto mais a isso, não. Eu acho que já dei a minha contribuição. Se não vier o financiamento público de campanha, a tendência é que só os milionários do Brasil possam ser candidatos. E eu estou fora.

PAC

G1 – O senhor já declarou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma ilusão. Mesmo assim, tenta levar para o Distrito Federal a maior quantidade possível de recursos previstos no programa do Lula.
Arruda – O que eu digo é o seguinte: o PAC, em termos macroeconômicos, na minha visão, é um equívoco. Por quê? Porque o PAC parte do princípio de que é o Estado que é o motor da economia. E não é. Nem aqui nem em lugar nenhum do mundo. No mundo moderno, o Estado tem que regular, criar um ambiente propício aos investimentos no setor público. Agora, já que ele [o PAC] existe... E ele existe como o quê? Como um ajuntamento de projetos existentes dentro dele [do setor público], nada mais do que isso. Ele cumpre uma finalidade, devo admitir, que é o de fazer com que esses projetos andem. Por isso, tem o seu mérito.

G1 – No começo deste ano, os governadores e o presidente Lula se reuniram. Das coisas que ficaram definidas naquela reunião, o que foi feito de concreto até agora?
Arruda – Nós apresentamos uma lista de 14 pontos. Desses 14 pontos, sete foram aceitos pelo presidente e, desses, até agora, nenhum andou. O único que teve um desenvolvimento foi o Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica], mesmo fora daquilo que foi combinado com a gente. Nós tivemos que ir ao Senado e ganhar no voto o nosso ponto de vista.

G1 – O sr. poderia recordar alguns desses 14 pontos?
Arruda – Renegociação da dívida, repartição da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras], isenção de IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] para as empresas de saneamento.

G1 – O presidente Lula, e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, já disseram reiteradas vezes que a repartição da CPMF com os estados não será feita...
Arruda – (Interrompendo) É, mas é decisão do Congresso, né?

Democratas

G1 – O sr. é o único governador do Democratas. O partido tem força sem a aliança com o PSDB?
Arruda – Acho que é um partido [o Democratas] em reconstrução. É um partido que sabe que o país mudou e que precisa mudar. Agora, tem um caminho enorme pela frente, que é a defesa do pensamento liberal clássico, do Estado como ente regulador, da defesa da livre iniciativa e da economia de mercado.

G1 – Sua eleição pôs fim a uma dicotomia no Distrito Federal entre PT e PMDB...
Arruda – (Interrompendo) Eu acho que acabou [essa disputa] na cidade. A cidade amadureceu politicamente. E esse maniqueísmo já tinha cansado, de ser quase um revezamento entre PT, Roriz, Roriz e PT. Eu acho que a cidade é plural. A cidade é muito maior do que essas duas posições, por mais que elas mereçam respeito. Mas a cidade tem um pensamento político mais complexo.

G1 – Que avaliação o senhor faz desses quase 150 dias de governo?
Arruda – Estou vivendo momentos de muitas dificuldades, estou contrariando muitos interesses e estou pagando um preço alto por isso, claro. Diminuí 20 secretarias, diminuí 10 mil cargos em comissão, acabei com 11 mil empregos no ICS [Instituto Candango de Solidariedade], entreguei 124 prédios alugados, entreguei 600 carros alugados, fiz uma economia de R$ 400 milhões nos três primeiros meses. Claro que isso contraria interesses. Isso, sem contar, os prédios que eu implodi, as invasões que eu proibi, as vans que eu proibi. Nós compramos muitas brigas ao mesmo tempo, mas era absolutamente necessário, por voltar a cidade ao império da lei, da ordem.

Distrito Federal

G1 – O sr. e seu vice-governador são do Democratas (ex-PFL). Quando essa chapa foi lançada, houve um mal-estar em Brasília, principalmente com os aliados do então governador Joaquim Roriz (PMDB), que apoiava a candidatura da então vice-governadora, Maria de Lourdes Abadia (PSDB). Como é hoje sua relação com essa base aliada ao ex-governador Roriz?
Arruda – Nós acabamos, pelas circunstâncias que você sabe, ganhando a eleição sozinhos, com o apoio do PPS e de outros pequenos partidos. Mas não tivemos o apoio nem do PMDB, do Roriz, nem do PSDB, nem de ninguém. Ficamos sozinhos contra todos. E acabamos ganhando a eleição no 1º turno. Isso nos deu a tranqüilidade de poder fazer mudanças profundas tanto no aparelho do estado, como na forma de governar. Agora, temos tido uma relação elegante com todos eles, boa, mas sem maiores comprometimentos.

Invasões e vans

G1 – O sr. falou nas questões das invasões e condomínios irregulares e das vans. Como ficará isso daqui para a frente?
Arruda – No caso das terras, vamos continuar proibindo de forma enérgica qualquer uso indisciplinado do solo. Foi o uso indisciplinado do solo que calamitou a vida no Rio de Janeiro, por exemplo. Eu não vou deixar que, em Brasília, se repita o que aconteceu no Rio: as invasões, as favelas, o uso indisciplinado que, depois, gera violência, drogas e tudo isso. E, ao mesmo tempo, vou usar a decisão do Supremo Tribunal Federal [STF] e regularizar todos os condomínios já existentes.

G1 – E com relação às vans?
Arruda – Está proibido. Pronto. E agora vamos fazer edital de licitação para ônibus e microônibus. Mas nós não vamos mais dar linha de van de presente para ninguém.

BRB

G1 – O sr. escolheu técnicos para ocupar algumas secretárias e cargos estratégicos no Governo do Distrito Federal (GDF). Uma delas é o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Roberto Figueiredo Guimarães, que acabou saindo do cargo depois de ter o nome envolvido na Operação Navalha, da Polícia Federal [que investiga fraudes em licitações e desvio de dinheiro público]. O sr. acertou nessas escolhas técnicas?
Arruda – Bom... o BRB... ele... claro que esse assunto em que ele [Roberto Figueiredo Guimarães] foi envolvido é um assunto anterior ao meu governo, diz respeito ao estado do Maranhão. Mesmo assim, ele pediu demissão e eu aceitei. O presidente interino [Laécio Barros Júnior] deve ficar algum tempo até que eu decida o presidente definitivo. E esses nomes técnicos que eu escolhi estão me dando o melhor retorno. Veja o caso do Cássio Taniguchi [secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente], que foi prefeito de Curitiba duas vezes, o caso da Maria Helena Castro [secretária de Educação], que foi a segunda do Paulo Renato no Ministério da Educação, o Luiz Tacca [Júnior, secretário da Fazenda], que foi secretário da Fazenda de São Paulo.

G1 – O sr. já possui alguns nomes para a presidência do BRB?
Arruda – Não, não, não. Não estou mexendo com isso agora, não.

G1 – O sr. não tem pressa?
Arruda – Não tenho pressa. [O BRB] Está muito bem presidido pelo servidor de carreira que está lá interinamente.

Copa do Mundo

G1 – Muito provavelmente, a Copa do Mundo de 2014 será disputada no Brasil. O estádio Mané Garrinha, em Brasília, briga para ser uma das sedes da competição...
Arruda – No dia 1º de junho, estarei em Londres entregando o meu caderno de encargos ao presidente da CBF [Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira].

G1 – Brasília será uma das sedes?
Arruda – Vai ser, se Deus quiser.


Só agora Bush se deu conta do aquecimento global

(Original aqui)

George W. Bush é um espanto. Quem o ouviu falar nesta quinta (31) ficou com a impressão de que o presidente americano não fez outra coisa o tempo inteiro a não ser liderar a humanidade no combate ao aquecimento global. Mas a notável virada que ele anunciou na maneira como encara a questão (o aquecimento global passou a existir para ele) e como pretende enfrentá-la foi recebida com justificado ceticismo.

Bush foi o último no grande establishment americano (detesto a palavra, mas não achei outra) a admitir que o aquecimento global é um problema – vários estados e as principais empresas em seu país, incluindo as do setor de petróleo, há tempos embarcaram em programas destinados a entender, delinear e combater o efeito estufa.

O presidente americano sofre também severa pressão internacional, especialmente por parte dos países europeus, que há muito tempo estabeleceram metas de redução da emissão. Exatamente as metas que Bush sempre se recusou em sequer considerar. Estão aí as razões para a profunda desconfiança com que foi recebido seu discurso: ele sugere uma conversão de Saulo a Paulo que, na verdade, mais parece um truque de marketing político. E não fala em fixar metas.

Bush falou em fixar encontros com os 15 maiores emissores, entre eles o Brasil, nos próximos 18 meses – quando ele deixará a Casa Branca. É o que se chama, em bom português, de empurrar com a barriga. A proposta do presidente americano é sedutora principalmente para países como Índia e China, que estão entre os grandes poluidores mas (ainda?) livres da obrigação de estabelecer metas de redução de emissões.

A principal idéia que os europeus gostariam de discutir no próximo encontro de cúpula do G-8, na Alemanha, no final da semana que vem, é a de calcular limites de emissões de maneira a não permitir que as temperaturas médias subam mais do que 2 graus. Na prática, isto significaria que algumas das principais economias ricas – e a dos Estados Unidos é a maior delas – teriam de cortar suas emissões em até 50%.

O simples fato do presidente americano ter admitido a existência do problema, depois de tê-lo ignorado desde o primeiro dia no cargo, é um grande passo – para os Estados Unidos, talvez. Para o resto do mundo, é apenas a admissão do isolamento internacional de Washington. “Novas tecnologias nos deram uma nova compreensão do problema ao mesmo tempo que nos dão novos métodos de resolvê-lo”, discursou Bush.

É uma questão de pouquíssimo tempo para que os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, sejam chamados também a uma considerável quota de sacrifício. Mas é impossível imaginar que eles façam qualquer coisa sem ver, primeiro, os ricos empenhados em soluções práticas. Nada disso ficou claro na surpreendente “conversão” de Bush.

Em relação ao clima, ele parece repetir o que fez no Iraque: deu-se conta de que as coisas estão andando errado quando já é tarde demais.


As usinas do rio Madeira

(Original aqui)

Para entender o caso das hidrelétricas do rio Madeira, as usinas de Jirau e Santo Antonio: em 2001, a estatal Furnas e a companhia privada Odebrecht iniciaram o estudo para o aproveitamento do rio. Por que essas duas empresas?

Foi decisão delas. A regra permite que empresas tomem esse tipo de iniciativa. Mas os seus estudos têm que ser entregues à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que os torna públicos. Depois, na licitação da obra, se as empresas que fizeram os estudos iniciais não vencerem, elas devem ser reembolsadas pelos gastos feitos.

Furnas e Odebrecht informaram à Aneel que gastaram R$ 150 milhões no inventário do rio, na preparação do EIA-RIMA (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente ) e no projeto básico das duas usinas.

Com isso, foi solicitada a Licença Prévia ao Ibama, condição necessária para o edital de licitação.

Foi essa licença que encrencou. Técnicos do Ibama produziram um relatório de 200 páginas, solicitando um tal número de estudos adicionais e colocando tantas condicionantes que ficou clara uma posição contra a construção das usinas.

Isso foi a gota d´água. Explodiu a crise que era latente dentro do governo, separando os desenvolvimentistas, sob a liderança da ministra Dilma, e os ambientalistas de Marina da Silva.

Dilma levou o primeiro round. Houve demissões no Ibama, o relatório contra as usinas ficou assim, meio suspenso. Mas para arredondar as coisas, Furnas e Odebrecht apresentaram um estudo adicional que, dizem seus técnicos, responde a todas as questões levantadas pelo Ibama.

Esse estudo foi entregue no último dia 16. A partir daí, os desenvolvimentistas passaram a dizer que esperavam a licença até o fim de maio – hoje.

Se sair a licença, a coisa segue assim: o Ministério de Minas e Energia prepara o edital de licitação da primeira usina, a de Santo Antonio. Esse projeto segue para exame do Tribunal de Contas da União e para audiência pública. Se for tudo aprovado, o edital é publicado e abre-se a licitação.

Além da dupla Furnas-Odebrecht, há pelo menos outros grupos interessados na execução da obra.

Mas não é simples assim. O Ibama pode dar a Licença Prévia, mas com um monte de condições que inviabilizem a obra; mesmo que o Ibama dê a licença, o Ministério Público vai tentar embargar a obra na Justiça.

Em resumo, o governo conta com as usinas do Madeira para garantia de energia a partir de 2013. Mas é uma garantia, como se vê, muito precária.


Lula diz que pedirá explicações a embaixador

(Original aqui)

Itamaraty divulgou nota na tarde desta sexta-feira sobre críticas de Chávez.
Presidente venezuelano chamou Congresso brasileiro de 'papagaio' dos EUA.

O Ministério das Relações Exteriores divulgou, na tarde desta sexta-feira (1º), nota em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determina a convocação do embaixador da Venezuela no Brasil para que se obtenha os "indispensáveis esclarecimentos" sobre as críticas do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Hugo Chávez criticou o Congresso Brasileiro devido aos senadores terem aprovado requerimento contra o fechamento da RCTV pelo governo venezuelano. Chávez disse que o Congresso brasileiro "repete como um papagaio" o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana.

Mais cedo, ao ser questionado por jornalistas brasileiros em Londres, Lula havia comentado as declarações. "Chávez tem que cuidar da Venezuela, eu tenho que cuidar do Brasil, o [presidente dos EUA, George] Bush tem que cuidar dos Estados Unidos e assim por diante", de acordo com informações da Agência Brasil. Ele afirmou ainda que cada país tinha sua soberania e que "cada um tem responsabilidade pelo que fala".

Na nota oficial, o Itamaraty diz que Lula repudia manifestações que coloquem em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos que norteiam as instituições.

Leia a íntegra da nota

"Nota nº 262 - 01/06/2007
Distribuição 22 e 23

Manifestação do Presidente da República a propósito de declarações atribuídas ao Presidente da Venezuela

Tendo tomado conhecimento, em Londres, de declarações atribuídas ao Presidente Hugo Chávez a respeito do Congresso brasileiro, o Presidente Lula reafirmou seu total apoio às instituiçoes brasileiras e expressou seu repúdio a manifestações que coloquem em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos, que norteiam essas instituições.

Enquanto aguarda a transcrição das referidas declarações, o Presidente Lula determinou que o Ministério das Relações Exteriores convoque o Embaixador da Venezuela no Brasil para os indispensáveis esclarecimentos."


Lula: 'Chávez tem que cuidar da Venezuela'

(Original aqui)

Em Londres, o presidente comentou crítica de Chávez ao Congresso Brasileiro.
Ele disse que 'cada um tem responsabilidade pelo que fala'.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta (1º), em Londres, que "o [presidente venezuelano, Hugo] Chávez tem que cuidar da Venezuela, eu tenho que cuidar do Brasil, o [presidente dos EUA, George] Bush tem que cuidar dos Estados Unidos e assim por diante", de acordo com informações da Agência Brasil.

Lula foi informado por jornalistas de que Hugo Chávez criticou o Congresso Brasileiro devido aos senadores terem aprovado requerimento contra o fechamento da RCTV pelo governo venezuelano. Para Chávez, o Congresso brasileiro "repete como um papagaio" o que diz o Congresso americano em relação à situação venezuelana.

"Eu não posso falar de um discurso de um chefe de Estado só porque você está me fazendo a pergunta. Numa situação dessas, não sei se o Chávez falou ou não falou. Se ele falou, certamente o embaixador em Caracas vai comunicar o Itamaraty. E depois é o seguinte: todos nós somos adultos e cada um tem responsabilidade pelo que fala", disse Lula ainda de acordo com a agência.

Aos jornalistas, o presidente disse que "cada país faz aquilo da forma mais soberana que puder. No caso do Chávez, é um problema do Chávez com a televisão, a legislação da Venezuela. Não é um problema do Brasil. O problema do Brasil é outro, aqui temos uma prática extremamente democrática com a imprensa, e ela está consolidada. Acho que cada país tem que ter soberania para fazer o que tem que ser feito. Nada mais que isso."

Horas depois das declarações de Lula em Londres, o Itamaraty divulgou nota oficial repudiando as declarações de Chávez. Diz que o presidente Lula determinou a convocação do embaixador da Venezuela no Brasil para que sejam obtidos os "indispensáveis esclarecimentos".

Congresso

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), repudiaram nesta sexta as declarações de Chávez. Para Renan, Chávez está na "contramão" da democracia. Já Chinaglia disse que o venezuelano "errou gravemente".

"Um chefe de estado que não sabe conviver com manifestações democráticas como a do Senado é porque, provavelmente, está na contramão da democracia", afirmou Renan.

"Não cabe a ele (Chávez) fazer esse julgamento. O Congresso brasileiro foi eleito pelo povo e deve prestar contas ao povo", disse Chinaglia. "Chávez erra gravemente ao atribuir ao Congresso uma subordinação que não existe (aos EUA) por um outro poder, nem por qualquer poder estrangeiro", ressaltou o petista.

Renan, que apareceu no Senado nesta sexta somente para rebater Chávez, afirmou ainda que a Casa não vai se manifestar oficialmente sobre as declarações do venezuelano. "Não haverá resposta oficial porque é papel do Senado reagir com indignação toda vez que em qualquer fronteira em que os valores democráticos forem abalados", disse.

"Qualquer movimento contra a democracia, a liberdade de imprensa, o Senado repudiará", ressaltou.

Senado

Antes de Renan, outros senadores também repudiaram Chávez. O primeiro foi o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), que, em plenário, considerou um "desrespeito" a afirmação do venezuelano.

"Tenho pena do pacato e bom povo da Venezuela. Se toda essa pirotecnia do sr. Hugo Chávez fosse em benefício das melhorias sociais daquele povo, da diminuição dos desequilíbrios sociais daquela gente até que se justificaria, mas é uma pirotecnia que beira o rumo da paranóia", disse Fortes.

"O sr. Hugo Chávez, depois de interferir no Judiciário venezuelano, de garrotear o parlamento venezuelano e de alterar a Constituição, possibilitando reeleições infinitamente, quer agora atingir e agredir os países vizinhos", ressaltou. "Faço este registro lamentando o desrespeito desse aprendiz de ditador", disse Heráclito.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), também comentou as declarações do presidente da Venezuela. "É preciso entender que todos os países são independentes. O Congresso brasileiro tem o direito e o dever de zelar pela democracia na América do Sul", disse.

"O Congresso representa a autonomia do povo brasileiro. Não representa nenhum país, muito menos os EUA".

Outro senador que falou sobre o assunto foi Valter Pereira (PMDB-MS). "Nós temos a liberdade de imprensa com um patrimônio universal. E os congressistas não podem abrir mão disso", disse.

Segundo o presidente da Venezuela, "no Congresso do Brasil, lamentavelmente dominam os partidos de direita, então assistimos a uma declaração (do Senado) me instando a devolver a concessão àquela emissora".