8 de setembro de 2007

Do absurdo da "Feira do Livro"

Ah, a Feira do Livro! Evento fundamental para fazer com que as pessoas abram os olhos para a necessidade da leitura e comprem mais livros para, assim, se tornarem mais cultas, certo?

Errado.

Hoje fui à Feira lá no Pátio. Já começa que é em um shopping, centro de diversão típico da classe média. Mas tudo bem, descontemos esta parte -- até porque o Pátio é de fácil acesso a todos os brasilienses (pelo menos creio eu).

Mas aí você começa a andar por lá e nota duas coisas:

  1. Os stands estão cada vez menores. O da UnB, por exemplo, sempre ocupou uma esquina. Desta vez, está ocupando um pedacinho minúsculo. Nem mesmo o "Dicionário de Política" estava lá para ser vendido.
  2. Os preços estão cada vez mais absurdos.

Sim, os preços estão absurdos. Eu comprei cinco livros -- sendo que o maior deles tem "apenas" 250 páginas -- e gastei R$ 188,70. Exatamente isto aí -- cento e oitenta e oito reais e setenta centavos. Por cinco livros.

Tudo bem, dois deles têm capa dura e um bom acabamento. Mas justamente estes dois foram os mais "baratos" -- R$ 39,90 cada um deles.

Saí da Feira pensando: como o estado quer que sua população seja educada/culta se a população não tem condições de comprar os livros? Vi livros "normais" (por "normal" eu entendo um livro com umas 300 páginas, sem firulas em sua impressão/encadernação) por R$ 200,00!!! Como isto é possível?

Não é à toa que havia muita gente lá, muita mesmo (sensação de aperto facilitada pela péssima distribuição dos stands em certas partes da Feira). Mas pouca gente com livros nas mãos. Os que mais vi na mão das pessoas eram aqueles da coleção Martin Claret (ou similares), que custam R$ 10,50 -- mas são mais complicados para o brasileiro médio (ou algum leitor meu acha que o cidadão "comum", que está acostumado a ler jornal (e olhe lá) vai ter condições de pegar a "Crítica da Razão Pura" e entender seu conteúdo?). Mas enfim, melhor pouco do que nada...

Pra terminar, não posso deixar de fazer a comparação, sempre com ela: na Rússia, um livro médio, com capa dura, custa por volta de R$ 10. Depois as pessoas me perguntam: "Por que na Rússia todo mundo lê o tempo todo?"


2 comentários:

Nayanne Paulina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nayanne Paulina disse...

realmente os livros estão muito caros, eu fui lá sabado dia 08, pelo menos consegui compra um Código Penal, novo, de capa dura por R$3,00. achei barato, mas fui atraz de um livro de Direito Constitucional e o mais barato que encontrei era R$ 75,00 e o livro nem era novo era usado....

Nayanne