16 de fevereiro de 2007

A importância de Meirelles no BC

Há um tempo atrás, defendi a manutenção do atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Escrevi também sobre a necessidade da área monetarista do governo "vencer" a área desenvolvimentista, pois esta última trabalha inevitavelmente com o aumento da inflação.

Por que defendi e defendo tal posição, explicitada no post abaixo? Vejam o caso da Venezuela: é o país que mais vem crescendo na América Latina (8,8% ao ano). Cresce como? Por meio de uma agenda desenvolvimentista, na qual o Estado investe pesado -- gasta muito -- para dar a tão sonhada infra-estrutura ao país.

Qual o resultado? Inflação de 17% no ano de 2006, considerada muito alta para países com economias estáveis. A inflação mais alta da América Latina. Prejudicial a ponto do governo Hugo Chavez ter tomado a decisão de cortar três zeros do bolívar, a moeda venezuelana.

Pergunto: de que adianta crescer 8,8% com inflação de 17%? Houve crescimento real?

Eu não quero tal situação no Brasil. Por isso defendo ao máximo a permanência de Meirelles no BC e de Paulo Bernardo à frente do Ministério do Desenvolvimento, para poderem fazer frente à toda-poderosa Dilma Rousseff e ao poderoso Guido Mantega.


Uma ótima notícia

Para aqueles que, como eu, preferem crescer pouco, de maneira sustentada e sustentável, e com inflação baixa, abaixo vai uma ótima notícia. (original aqui)

Presidente manterá Meirelles no Banco Central

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai confirmar Henrique Meirelles na presidência do Banco Central (BC) e reafirmar a autonomia operacional da instituição na condução da política monetária.

Lula, segundo um auxiliar direto, ainda não conversou com Meirelles, mas já tomou a decisão de mantê-lo no cargo. Ainda não fez o anúncio porque considera uma descortesia com os outros ministros confirmar apenas o nome do presidente do BC neste momento.

O presidente, segundo um assessor, aprecia o " equilíbrio " existente hoje dentro da equipe econômica. O equilíbrio seria assegurado, de um lado, por um Ministério da Fazenda mais " aberto " e menos ortodoxo, e do outro por um Banco Central e um Ministério do Planejamento " cautelosos " nas áreas fiscal e monetária.

"O presidente não teme as divergências entre ministros e assessores. Considera-as saudáveis porque elas o ajudam a tomar decisões " , conta um assessor, referindo-se às diferenças de opinião existentes entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a diretoria do BC. " Mesmo o Guido está mais próximo do Meirelles nos últimos tempos" , revela um auxiliar de Lula.

Quando o presidente anunciar o novo ministério, Meirelles conversará com os integrantes da diretoria do BC. Há cerca de seis meses, para evitar especulações no mercado, ele pediu aos diretores que não tomassem qualquer decisão, sobre ficar ou deixar o governo, até Lula definir a equipe do segundo mandato. Há a possibilidade de mudanças.

Os rumores mais fortes dizem respeito ao diretor de Pesquisa Econômica, Afonso Bevilaqua. Há quase quatro anos no cargo, ele teria interesse em deixar o cargo por considerar que concluiu sua " missão " - trazer a inflação de 12,5% em 2002 para 3,1% em 2006, um índice inferior à meta fixada pelo governo. Além disso, já teria chegado o momento de iniciar sua vida no setor privado, um caminho natural para ex-diretores do Banco Central.

Bevilaqua é muito criticado pelo PT e pela área política do governo, que o responsabilizam pelo excesso de ortodoxia na condução da política de juros, embora o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha outros sete integrantes. O diretor gosta do que faz. Ele tanto pode ficar quanto sair. " Se o Afonso quiser ficar, excelente! Não há óbice a que ele continue cargo " , disse ao Valor um ministro próximo de Lula.

Desde que assumiu o comando do BC, há quatro anos, Meirelles nomeou onze diretores. Os dois últimos - Paulo Vieira da Cunha (Assuntos Internacionais) e Mário Mesquita (Estudos Especiais) - foram escolhidos junto com o presidente Lula, portanto, com o seu aval direto. As nove nomeações anteriores, inclusive a de Bevilaqua, foram acertadas com o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e avalizadas num segundo momento pelo presidente.

Trata-se de uma sutileza importante. Até 2004, o Banco Central era uma autarquia que respondia ao Ministério da Fazenda. Por isso, as nomeações de diretores eram definidas pelo presidente do BC, em conjunto com o titular da Fazenda. Depois que passou a ter status de ministro, uma mudança ocorrida em 2005, o presidente da instituição passou a responder diretamente ao presidente da República. Por essa razão, a definição da diretoria passou a ser acompanhada e definida diretamente pelo presidente Lula.

Esse modelo institucional agrada ao presidente porque, embora deseje acelerar o ritmo de expansão da economia, Lula, segundo assessores, não quer " marola " na área financeira. Seu objetivo é liberar o ministro Guido Mantega para pensar em medidas que destravem o crescimento, enquanto ele mantém a retaguarda fiscal e monetária com Meirelles no BC e Paulo Bernardo no Planejamento.

(Cristiano Romero)


O Oriente Médio é igual ao Rio de Janeiro -- não tem solução

Eu nunca fui muito fã de Israel e/ou dos israelenses. Sempre estive do lado dos árabes, no eterno conflito árabe-israelense. Sempre achei que os palestinos tinham o direito de mandar uns foguetes contra Israel, devido a tudo que este país já fez contra o povo sem Estado. Já tive até mesmo, em alguns momentos, uma pequena simpatia pelo nazismo, que buscava exterminar os judeus... Mas isto é outra história. Enfim, sempre fui contra os israelenses, e desde que me entendo por gente tenho tal posição contrária a Israel e favorável aos árabes/palestinos.

Mas esta minha visão está mudando um pouco nos últimos tempos.

Não que eu vá "mudar de lado", isto de forma alguma. É impossível para mim ignorar o que os judeus já fizeram com os árabes naquele pequeno espaço (da mesma forma como é impossível para mim esquecer os erros da Igreja Católica durante quase toda sua existência -- mas isto também é outra história).

Mas venhamos e convenhamos: como é possível defender um povo cujo líder, por causa de uma reforma em uma rampa de acesso a uma mesquita, resolve convocar uma nova intifada contra Israel?

Vi esta notícia hoje no Jornal das 10 (na Globonews), e isto me chamou a atenção, e muito. Fiquei pensando: onde isso vai parar? Como é que um líder pode dizer aos seus liderados "vamos atacá-los com violência porque estão reformando uma rampa, e tal reforma é para nossa própria segurança"? A pergunta correta, talvez, seja a seguinte: como é possível que alguém com tal mentalidade se torne líder?

Se os palestinos fossem espertos, conseguiriam angariar a opinião pública mundial para sua causa e conseguiriam atingir seus objetivos. No entanto, ficam brigando entre si ao invés de se unirem e lutarem contra o "inimigo" comum -- o Estado de Israel. O exemplo mais claro desta falta de inteligência das lideranças palestinas foi a recente demora e quase impossibilidade se estabelecer um governo de coalizão entre o Fatah e o Hamas -- as duas principais lideranças político-religiosas daquele povo, que não se entendiam porque o primeiro-ministro é de uma facção e o presidente é de outra. Se os caras não conseguem se unir, como poderão atingir algum objetivo?

E agora, voltando à questão da intifada: Israel não é flor que se cheire, e poderia realizar a reforma com participação de engenheiros árabes/palestinos, por exemplo. Mas enfim, resolveu fazer a coisa por conta própria e não tem como voltar atrás. Mas será que é tão difícil para a liderança palestina entender a reforma como uma possibilidade de aproximação, ou como uma possibilidade até mesmo de obter uma brecha junto ao governo israelense? Não, eles têm de solicitar uma nova intifada. Depois, quando morrem, dizem que Israel é exagerado em suas reações militares.

A situação naquele pedaço de mundo segue tensa desde que Israel foi criado, em 1948. Todo mundo sabe os interesses diversos que todas as grandes potências têm na região, o que complica ainda mais a coisa. É por isso que eu coloquei como título o fato de que o problema ali não tem solução -- é igual ao Rio de Janeiro: enquanto houver interesses ganhando com o conflito, com a guerra, com a morte de pessoas inocentes (?), nada vai mudar. É igual ao Rio: só um poder ditatorial, que use a força em um primeiro momento, poderia solucionar o problema -- mas quem quer solucioná-lo?


15 de fevereiro de 2007

Onde está a verdade?

(Original disponível aqui)

“Certos discípulos vivem me perguntando onde está a verdade”, disse Maal-El. “Então, certo dia, resolvi apontar para uma direção qualquer, tentando mostrar que o importante é percorrer um caminho e não ficar pensando sobre ele.

“Ao invés de olhar para a direção que eu apontava, os discípulos começaram a examinar meu dedo, tentando descobrir onde a verdade estava escondida.

“Quando as pessoas procuram um mestre, deviam estar em busca de experiências que possam ajudá-las a evitar certos obstáculos. Mas, infelizmente, a realidade é outra: estão usando a lei do menor esforço, tentando encontrar respostas para tudo.

“Quem deseja beneficiar-se do esforço do mestre para poupar suas forças, nunca chegará a lugar nenhum e acabará por decepcionar-se.”


11 de fevereiro de 2007

Para pensar

"O aumento dos salários não consegue ser uma maneira de reduzir a pobreza pela simples razão de que o aumento de salários só ocorre para quem já tem emprego. E quem já tem um emprego regular, formal, já saiu do grau mais intenso de pobreza – porque dispõe de salário, vale-alimentação, vale-transporte, seguro-saúde – ou não sairá dela com o salário, porque lhe faltará bens e serviços essenciais, que não são comprados."

BUARQUE, Cristovam. A segunda abolição: um manifesto-proposta para a erradicação da pobreza no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 1999. Pág. 41.


Mais uma do Sardenberg

A relativa falta de tempo neste fim de semana, mais especificamente hoje, domingo, aliada à falta de luz por pelo menos 4 horas seguidas, me fez ter a idéia de "simplesmente" copiar e colar o que Carlos Alberto Sardenberg escreveu em seu blog ontem, dia 10 (original aqui). No entanto, o fato de ser uma cópia não significa que não tenho nada a dizer, pois concordo plenamente com o que ele diz em seu texto. Mais uma dentro do comentarista da Globonews.

Amanhã, se tudo der certo, escrevo mais -- original, meu mesmo :)

O Brasil, segundo o Banco Central
Carlos Alberto Sardenberg

Estou em Lisboa, onde participei de um seminário sobre o Brasil promovido pela Fundação Luso-Brasileira, nas últimas quinta e sexta. Três temas: biocombustível, economia e política. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fez a palestra de encerramento.

Para ele, do ponto de vista do BC, as coisas vão bastante bem: a inflação corre abaixo do centro da meta e isso não está errado, nem indica que o BC exagerou na dose de juros. Em países estáveis, é normal a inflação ficar abaixo da meta, o que ajuda a ancorar expectativas.

A taxa de juros, disse Meirelles, é a mais baixa em décadas. Já houve momentos de taxa real de juros mais baixa, mas por um motivo ruim, a inflação muito elevada. Hoje temos inflação na casa dos 3% ao ano, com taxa real de juros de 7,9%. E o presidente do BC e alardeia: é inédito isso.

Um exercício que agrada ao presidente do BC é apanhar projeções sobre os juros feitas há um , dois anos, por pessoas de fora do banco. Os 13% da atual taxa básica de juros, diz Meirelles, estão abaixo das previsões mais otimistas.

Mais ainda, comenta: políticos, inclusive do PT, e empresários, não faz muito tempo, “exigiam juros de pelo menos 15%...”

E as projeções indicam que os juros continuarão em queda.

Sobre o dólar, o presidente do BC mostrou a variação das cotações desde a introdução do câmbio flutuante, para concluir: a taxa atual está na média, nem alta, nem baixa.

Resumo da ópera, com base no discurso oficial e em conversa com o presidente do BC: ele está absolutamente seguro de que a condução da política monetária recente não é apenas correta, é um “case de sucesso”, estudado por outros BCs pelo mundo afora. Está seguro de que sua função é essa, entregar um ambiente de estabilidade duradoura.

O BC esclarece que não é um banco de fomento. Mas ao fornecer o ambiente de estabilidade e previsibilidade, facilita a vida dos investidores. Meirelles conta que tem recebido investidores estrangeiros que lhe dizem exatamente isso, que passaram a se interessar pelo Brasil uma vez estando convencidos de que a estabilidade é consistente.

Doce vingança

Estavam presentes no seminário os empresários Paulo Skaff e Benjamin Steinbruch, da Fiesp. Skaff fez palestra, dando a visão da indústria: os juros estão errados para cima, o dólar está errado para baixo, o crescimento é baixo e os industriais querem mais ousadia do governo e do BC.

Uma delegação, integrada, entre outros, pelos empresários e por Meirelles, visitou o presidente de Portugal, Cavaco Silva.

Lá pelas tantas, Skaff fez seu discurso pró-crescimento e Cavaco Silva, surpreendendo o empresário, saiu em defesa da política do BC. Disse que acompanha a atuação do BC brasileiro, que a derrubada da inflação foi notável, que o ambiente de estabilidade é um caso de sucesso e que é melhor crescer agora 4% com segurança do que se atirar em aventuras.

Meirelles não escondeu o sorriso de satisfação.


10 de fevereiro de 2007

Relações entre moral, direito e justiça

Em post anterior (mais antigo), citei Kant. Hoje estava lendo coisas que uma amiga minha escreveu, sobre a relação entre moral, direito e justiça, e lembrei-me deste autor fantástico. Devido ao avançado da hora, deixarei aqui apenas três parágrafos para reflexão. São idéias de Kant, autor que sugiro fortemente que todos -- especialmente alunos de Direito -- leiam.

"A norma moral tem a forma de um imperativo categórico. O comando nela contido assinala a relação entre um dever ser que a razão define objetivamente. O comando moral é categórico porque as ações a ele conformes são objetivamente necessárias, independentemente da sua finalidade material ou substantiva particular.

"A necessidade objetiva do comando categórico faz referência a que o dever moral vale para todos os homens enquanto seres racionais; o móbil, ou princípio subjetivo da ação, que pode variar segundo a situação ou o indivíduo, não determina o valor moral da ação. O critério para a definição da boa conduta moral é formal: a moralidade da ação consiste precisamente na sua universalidade segundo a razão.

"Os princípios morais estão subordinados a um princípio supremo dentro do qual está contida toda a moral kantiana. Este princípio supremo, ao qual Kant chamou de imperativo categórico, foi enunciado da seguinte forma: 'Trabalhe de tal maneira que a máxima de sua ação possa valer como princípio de uma legislação universal'."


9 de fevereiro de 2007

O que o PT ganharia com juros mais baixos e dólar desvalorizado?

Berzoini é da turma do "vamos abaixar os juros". Quer que o governo gaste mais (chama isto de "investimento"), reduza os juros (na marra) e controle o fluxo de dinheiro para que o dólar não caia tanto (idéia totalmente sem sentido -- pensem em um investidor: "O Brasil está controlando o que entra e o que sai de dinheiro> Não vou investir lá, pois o meu dinheiro poderá ficar retido"). Não é à toa que o PT fez o que fez para conquistar a presidência da Câmara. Só espero que o Lula realmente se mantenha firme e forte em suas palavras (ver post anterior) e não tire o Henrique Meirelles do comando do Banco Central. Se isto acontecer... Melhor nem pensar muito.

(O original da reportagem está aqui)

BERZOINI: EM DOCUMENTO, PT CRITICARÁ JUROS
Diretório Nacional do PT deve aprovar documento neste sábado (10).
PT não tomará posição sobre anistia a José Dirceu.
09/02/2007 - 16h53m - Atualizado em 09/02/2007 - 18h41m
Leandro Colon
Enviado especial do G1 a Salvador

O Diretório Nacional do PT deve aprovar neste sábado (10) um documento que, entre outras coisas, critica a política de juros do Banco Central. A informação foi confirmada pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini, em entrevista ao G1, nesta sexta-feira (9), em Salvador, onde o PT comemora seus 27 anos de fundação.

O documento, segundo Berzoini, falará ainda da participação do PT no governo e da eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara dos Deputados. O presidente petista avisa que o partido não tomará posição sobre a campanha de anistia do Congresso ao deputado cassado José Dirceu.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

G1 - Quais os principais pontos do documento que o diretório nacional aprovará neste sábado?
Ricardo Berzoini - Estamos tentando construir um texto que faça uma boa avaliação sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que busca fazer uma reflexão sobre a política brasileira, a retomada dos trabalhos do Congresso, a eleição do Chinaglia na Câmara e do Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado, a constituição das novas lideranças no Congresso dos partidos de coalizão, as novas comissões de trabalho no Congresso e também debater um pouco as questões econômicas, os desafios pela frente.

G1 - O documento criticará a política de juros?
Berzoini - O documento faz considerações que nós entendemos que são críticas em relação a essa última decisão do Copom [que reduziu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual]. Não queremos transformar isso num centro do nosso documento. Mas achamos que a posição do partido é muito clara sobre isso. Nós entendemos que há um espaço na economia brasileira para reduzir os juros de maneira mais consistente. Agora, entendemos que, por outro lado, precisamos sempre ressalvar que a política econômica foi vitoriosa nos últimos quatros anos a ponto que hoje debatemos a agenda do crescimento e não a inflação.

G1 - E sobre espaço do PT no governo. O que o documento dirá?
Berzoini - Que o PT deve participar colaborando, cooperando, com quadros no governo, fortalecendo as políticas sociais e econômica, fortalecendo as áreas de infra-estrutura. Mas sempre lembrando que o PT é um dos partidos da coalizão. Não podemos esquecer que outros partidos têm o direito de pleitear áreas importantes do governo. Vamos falar que o PT quer ter uma participação qualitativa no governo, e que a decisão é do presidente Lula.

G1 - O PT vai discutir a anistia do Congresso a José Dirceu?
Berzoini - Não há movimento para evitar ou discutir. Temos a consciência muito grande de que esse é um assunto que deve ser tratado socialmente, não partidariamente. Algo que, se tiver base social, terá sucesso. Não haverá uma deliberação do partido sobre isso, até para que cada um possa se manifestar.

G1 - O encontro em Salvador ocorre depois dos escândalos do mensalão e do dossiê e ainda após a divulgação de documentos de grupos dentro do partido criticando a direção da legenda. Isso criou uma tensão interna?
Berzoini - A tensão é positiva. É uma maravilha que um partido como o PT seja tão aberto a ponto de se tornar o assunto principal dos jornais. Isso depois de eleger o presidente da Câmara. Democracia é isso. Nós percebemos que um partido como o nosso tem que debater todos os assuntos com franqueza. Há um sentimento de respeito dentro do partido. Vamos trabalhar. O Congresso [do PT] vai ser em julho. Faremos debate em todos os estados. A partir daí, teremos uma resolução do Congresso que dará as diretrizes aos militantes do partido.


Retorno à sala de aula

Hoje, dia 09/02/2007, efetivamente acabaram-se minhas férias. Dei minha primeira aula neste semestre (à exceção das aulas dadas na pós-graduação no fim de semana passado, que foram "por fora") . Dei aula nas Faculdades Espam, em Sobradinho, na qual há uma turma de Direito e, assim como na Faculdade Projeção, ministro a disciplina "Introdução à Ciência Política".

A Espam tem caracteristicas diferentes do Projeção. Em primeiro lugar, lá só tem uma turma de Direito por semestre. Explico: o curso de Direito foi aberto lá no segundo semestre do ano passado, o que justifica o fato de que hoje a Faculdade conta com mais ou menos apenas 100 alunos de Direito. O pessoal que entrou no ano passado compõe os "cobaias" e, para nossa alegria e satisfação, deu tudo certo. E, sendo um pouquinho metido, fui considerado o melhor professor de todos (na avaliação dos alunos, fiquei em primeiro lugar).

Outra diferença é que a própria instituição é pequena. O Projeção já tem 30 anos de estrada, tem colégio, tem pós-graduação, enquanto a Espam tem apenas supletivo e os cursos superiores. Olhando-se para o prédio da Espam, não damos nada, mas lá dentro a gente percebe que a faculdade não é mais uma dessas de fundo de quintal.

A turma de Direito deste semestre, segundo a tendência do semestre passado, é composta, em sua grande maioria, por pessoas adultas. Com isto, quero dizer que, visualmente falando, a média de idade da turma é de uns 27 a 30 anos (no mínimo). Ou seja, na turma não há molecada, como acontece no Projeção. Tal característica tem seu lado positivo: a aula rende muito mais.

Hoje, primeiro dia de aula, como sempre faço, dou aquele susto logo de cara. Falo da questão de plágio (inaceitável pra mim), falo da avaliação, falo que o pessoal tem de ler mesmo os meus "pequenos" textos (pra não escrever pérolas como "aparti" ou "pesso"), falo da questão da frequência... Enfim, dou uma visão geral sobre a disciplina. E, uma vez estando tudo claro, partimos para o conteúdo.

Eu deveria ter falado hoje sobre os conceitos de Política e de Ciência Política, fundamentais para o resto do curso. Mas não deu. Fiquei apenas no primeiro conceito, e por um motivo simples, mas adorável: o povo participou demais e não deu tempo de terminar o conteúdo. Por serem pessoas mais maduras e, principalmente, vividas, têm experiências próprias pra contar, sabem dialogar e trazer exemplos da vida prática pra sala de aula, o que enriquece o conteúdo e facilita o aprendizado. Por isso, a aula terminou no horário (11:35 h da manhã), mas não consegui falar sobre o segundo conceito porque o primeiro conceito dominou toda a aula (que começou às 8:50 h, mas tirando-se o tempo das explicações preliminares, começou mesmo às 10:10 h).

O que mais me importa, entretanto, não é tanto a participação dos alunos. Isso é ótimo e me agrada muitíssimo. Mas o melhor pra mim é ensiar. Estar em sala de aula e perceber que "o povo" tá aprendendo algo novo, tá ampliando seus horizontes, é algo que me satisfaz bastante. Perceber que, de repente, tem gente discutindo para além do que se fala no senso comum questões políticas -- que, por mais chatas que possam parecer/ser, são fundamentais em qualquer sociedade que se digne ser chamada como tal -- é um alento e tanto pra mim. Dou aula porque gosto, e sinto-me realizado quando o faço.

É uma pena que a grande maioria dos alunos não aproveita tal oportunidade. Não falo isso pra sacanear ninguém; é a realidade. Como disse em outro post, muitos alunos estão nas faculdades apenas pra ganhar o diploma, achando que isto já irá garantir a ele um lugar no Olimpo dos trabalhadores formais... Quanta ilusão! Há até uns 10 anos atrás, quem tinha curso superior era visto no mercado de trabalho como alguém de destaque, alguém para quem nunca faltaria emprego por ter curso superior. Hoje, "qualquer um" tem curso superior... Claro, estou generalizando, mas quero dizer que ter curso superior hoje em dia já não é garantia de um bom emprego. Ter curso superior hoje é como ter curso de inglês -- nem se pergunta mais se o indivíduo tem ou não, pois já se espera que ele tenha. E tem gente que perde tempo e diz que só faz faculdade "pra ter diploma ou pra passar em um concurso..."

Independentemente disso, eu continuo otimista em relação à minha função. Continuo acreditando que ensinar é algo muito bom, pois me satisfaz em todos os sentidos. Aqueles que não aproveitam a chance dada por Deus terão de prestar contas no futuro, de alguma maneira, e se eles não aproveitam, é problema deles -- por mais decepcionante que possa ser, como disse no outro post sobre filosofia. Mas é problema dele. O que me importa, e aí sou mesmo bem egoísta, é que eu estou fazendo minha parte -- passando o conhecimento adiante, tentando, de uma forma ou de outra, contribuir para que este mundo seja um pouco melhor do que ele é atualmente.


Juízo do presidente

Parece-me que o presidente tem juízo no que diz respeito à política econômica. Também, o Lula não é burro. Ele sabe muito bem que, se o trem sair dos trilhos, ele será o culpado e perderá o lugar na História do Brasil que tanto busca. É nele que estão minhas últimas esperanças no sentido de se manter a atual política econômica. Espero que as palavras dele, reproduzidas abaixo (original aqui) não sejam apenas jogadas ao vento para agradar a alguns.

LULA DEFENDE MEIRELLES E PEDE 'JUÍZO' A PT
Para presidente, críticos da política econômica são 'pessimistas'. "PT saiu de uma crise profunda e acho que está maduro", afirmou.
09/02/2007 - 19h16m - Atualizado em 09/02/2007 - 19h52m
Agência Estado

Um dia antes da reunião do Diretório Nacional do PT que deverá aprovar uma resolução política de crítica ao Banco Central, devido ao ritmo de redução da taxa de juros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta, sem mencionar o nome, o presidente da instituição, Henrique Meirelles.

Lula lembrou a crise que a legenda viveu em 2005 e 2006 e pediu que os petistas tenham "juízo". Ele repudiou os "pessimistas" que criticam a política econômica, marcada por juros altos e câmbio valorizado.

Lula afirmou que pretende viajar pelo Brasil para difundir o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e difundir o otimismo.

"Acho que é um bom momento para o PT", afirmou o presidente, em entrevista após solenidade que marcou o início da produção comercial de gás natural do Projeto Manati, na Bahia.

"O PT saiu de uma crise profunda, o PT saiu fortalecido do processo eleitoral, elegeu cinco governadores, 83 deputados. Portanto, o povo deu uma chance enorme ao PT, dizendo: "Olhem, tomem juízo e sejam o partido grande que nós queremos que vocês sejam. E acho que o PT está maduro para isso."

Juros
Em crítica velada aos petistas que, em documentos internos, atacaram a política econômica do governo, Lula afirmou que a taxa básica de juros cai há nove meses seguidos e declarou que o câmbio será ajustado. E chegou a dizer, no discurso que as pessoas querem mágica, que só duram "enquanto o palhaço está no circo".

"Porque de vez em quando as pessoas acham que é possível resolver os problemas da economia do País com mágica. A economia do país hoje é sólida. Temos quase US$ 100 bilhões de reservas, exportações de mais de US$ 140 bilhões, saldo de balança comercial de mais de US$ 40 bilhões, superávit em conta corrente, inflação controlada."

Ele minimizou também a possibilidade de o partido influir na política econômica a ponto de mudá-la radicalmente. "E acho que as pessoas estão maduras para entender que a disputa interna não tem reflexo na política de governo, nem da Bahia, nem tampouco da presidência da Republica", declarou.