6 de abril de 2007

O socialismo no século XXI

Como vocês podem ver nos comentários do último post, fui questionado sobre a possibilidade de haver um sistema socialista nos dias de hoje, considerando-se toda a influência que a globalização trouxe e traz para as relações internacionais, sociais, políticas, econômicas e sociais em todos os países. Ou seja, uma pergunta bem "fácil" de ser respondida... :P

A minha resposta para esta pergunta é tão "fácil" quanto a própria pergunta: sim, isto é possível. Basta olharmos para dois países extremamente opostos um ao outro (e que são citados no texto abaixo): a China e a Suécia. Em quase todos os termos, estes países são opostos. Abaixo alguns dados demográficos para compararmos posteriormente.

China:

  • Área: 9.596.960 km quadrados
  • População: 1.313.973.713 (set. 2006)
  • PIB: US$ 10 trilhões
  • Crescimento do PIB: 10.5% (2006)
  • PIB per capita: US$ 7.600
  • População abaixo da linha de pobreza: 10%
  • Reservas cambiais: US$ 1,034 trilhão
  • Governo: comunismo de partido único

Suécia:

  • Área: 449.964 km quadrados
  • População: 9.016.596 (set. 2006)
  • PIB: US$ 285,1 bilhões
  • Crescimento do PIB: 4,2% (2006)
  • PIB per capita: US$ 31.600
  • População abaixo da linha de pobreza: 0%
  • Reservas cambiais: US$ 22,26 bilhões
  • Governo: monarquia constitucional

Apesar de serem extremamente diferentes em questões políticas, econômicas e sociais, como pudemos ver, ambos têm algo em comum: a orientação do estado para o social. De maneiras diferentes, e atingindo públicos diferentes, ambos os países efetivamente fazem um trabalho social que garante um mínimo para a população.

A China trabalha em um sistema politicamente fechado e centralizado, o que lhe dá certas vantagens na hora de pôr em prática suas políticas públicas. Claro que o público não é toda a população chinesa -- considera-se que, dos 1,3 bilhão de habitantes, cerca de "apenas" 300 milhões fazem parte da classe média beneficiada pelas políticas públicas dos últimos 25 anos e que levou ao crescimento incomparável do país no mesmo período. Portanto, em termos absolutos, a China conseguiu, com seu sistema fechado, fazer com que apenas 25% de sua população melhorasse de vida -- mas, como já dito, estes 25% representam 300 milhões de pessoas, o que não é pouca coisa. E conseguiu fazer isto seguindo o chamado "socialismo de mercado", em que -- grosso modo -- os cidadãos têm liberdades na esfera econômica, mas não na esfera política.

Do outro lado temos a Suécia, país que até o século XVII era uma das principais potências militares da Europa. Uma das mais antigas monarquias constitucionais européias, a Suécia chegou onde chegou se baseando em um sistema político aberto e estável associado a uma altíssima carga tributária (por volta de 45%). Graças a isto, a Suécia dispõe hoje de um extensivo programa de bem-estar social, que garante uma ótima qualidade de vida para todos os seus cidadãos.

E o socialismo, onde entra nisso tudo? A associação do socialismo com a China é visível, mas com a Suécia nem tanto. Contudo, é necessário mostrar que as idéias de igualdade, de uma forma ou de outra, são postas em prática na Suécia: ela é considerada como o terceiro país do mundo em igualdade social, ficando atrás apenas da Dinamarca e do Japão. Ou seja, o estado sueco efetivamente garante a igualdade social, que é uma das principais bandeiras do socialismo. A China, por sua vez, ainda não garante a igualdade social para todos, mas é inegável que os esforços do governo chinês têm sido no sentido de melhorar a qualidade de vida da população (afinal, os chineses não são trouxas e sabem que, para poderem crescer, precisam ter uma população com nível razoável de vida).

Acredito que um sistema exclusivamente socialista, nos moldes da ex-URSS, seria um tanto quanto inviável atualmente (vide Cuba e Coréia do Norte). No entanto, os princípios do socialismo podem estar perfeitamente presentes nos dias de hoje, seja de uma maneira autoritária (China) ou de uma maneira democrática (Suécia). O importante, em minha visão, não é tanto o sistema político, mas sim o que o sistema político entrega à população.


Postar um comentário